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Fluxo neoempreendedor digital

No processo neoempreendedor, muitas vezes, precisamos ajustar o caminho porque o destino pode mudar ou uma nova rota mais acessível pode surgir. Assim, reanalisamos, ajustamos planos, recalculamos a rota e seguimos adiante. Agora, vamos descrever o modelo empreendedor não-linear dos negócios digitais. Neste caso, os dez fluxos desse processo contribuem para a validação rápida de ideias e a correção de rotas. Veremos como esse ciclo se adapta às exigências de um mercado em constante mudança. 1. Descoberta – fluxo inicial no qual identificamos problemas e necessidades para mapear as dores do público-alvo, incluindo conversar com potenciais usuários e validar suposições rapidamente. Assim, criamos protótipos simples e os testamos para ver se eles apresentam sinais de tração. O objetivo principal é, por meio da coleta de feedback, obter volume de dados que sustentem o investimento maior a ser feito. Tentamos errar barato. 2. Organização – hora de formar a melhor equipe e levantar os recursos financeiros necessários. Aqui, também, reunimos parceiros-chave para organizar o modelo do negócio por meio de aceleradoras ou incubadoras. Com estrutura e colaboradores, desenvolvemos a cultura que nos guiará, escolhemos métodos de trabalho, planejamos tarefas iniciais e preparamos o ambiente de colaboração. 3. Capacidades – neste fluxo, definimos o que fazer para desenvolver a solução e levá-la ao mercado. Estruturamos o roadmap e elencamos suas possíveis integrações. Se o negócio for software, definimos a linguagem de programação, banco de dados e servidores. Se for físico, pensamos em área de produção e logística. Em ambos, sempre reservamos espaço e recursos para mudanças, pois o negócio precisará de atualizações (ajustes e expansão). 4. MVP (solução mínima) – criação e lançamento da versão mais simples e funcional de um produto ou serviço, suficiente para resolver o principal problema do público-alvo e permitir o início da coleta de feedback real do mercado. Aqui, o objetivo é testar hipóteses essenciais rapidamente, com o menor investimento de tempo e recursos possível, validando o interesse do usuário e a viabilidade da solução antes de escalar o desenvolvimento. 5. Setup (preparação) – hora de colocar a mão na massa, implantar e configurar o que projetamos: instalar sistemas e plataformas, ajustar servidores ou linhas de montagem, treinar a equipe. Ainda nesse fluxo, configuramos processos mínimos e implementamos a automação básica para testar o funcionamento em condições que permitam mudanças, quando forem necessárias. Em resumo, prepararmos o negócio para o lançamento. 6. Go-Live (lançamento) – colocamos a solução no ar, inicialmente liberando-a para um grupo de usuários qualificados. Em seguida, lançamos o aplicativo na loja digital, ainda em versão beta. Observamos métricas de uso e monitoramos falhas para corrigi-las rapidamente. Também falamos com os primeiros clientes e recebemos reações ao vivo. 7. Growth (tração) – a operação foi feita para crescer. Refinamos a oferta, planejamos estratégias de marketing e ajustamos preços. Os principais instrumento de mensuração são o CAC (custo de aquisição de cliente) e LTV (valor de vida do cliente). Com base nelas, otimizamos o funil de vendas. As internet e redes sociais são peças fundamentais dessa alavancagem, com parcerias ou afiliados para expandir a base de usuários. 8. Assimilação – usamos o que aprendemos nos ciclos anteriores para melhorar o negócio. Transformamos feedback, dados de uso e experiências de falha ou sucesso em conhecimento prático, guiando decisões futuras, seja para inovar, corrigir ou aprimorar a solução. Assim, damos condições para o negócio não apenas reagir aos acontecimentos, mas, ao aprender com as situações práticas, crie uma base sólida para a próxima rodada de inovação ou para o amadurecimento da solução proposta. 9. Pivot (mudança) – alteração de rumo, se necessário. A qualquer momento, se a resposta do mercado for insuficiente, alteramos o foco da solução, o segmento de clientes ou o modelo de monetização. Adaptamos a plataforma e testamos hipóteses novas. Cada setback é lição aprendida, a partir da qual reorientamos a equipe. Tentamos manter o que funciona e descartamos o que não gera valor. 10. Scale (escalagem) – hora de alcançar novos mercados. Com a operação estável no crescimento, lançamos produtos complementares e intensificamos o branding. Por meio de parcerias estratégicas, podemos expandir a operação. Captamos rodadas maiores de investimento para automatizar processos com maior rapidez. O principal objetivo da expansão é consolidar as soluções em diferentes regiões. Esses fluxos nos dão uma visão ampla do modelo neoempreendedor digital, lembrando que ele não é necessariamente sequencial. Às vezes, pivotamos no meio do setup. Às vezes, quando crescemos, descobrimos novos problemas para resolver. Fazemos isso sem grandes rupturas. O segredo está na agilidade e na abordagem de revisar caminhos. Figura 31 - Processo Neoempreendedor Digital