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Mudança de paradigma

Não há dúvidas de que os maduros de hoje precisam desenvolver um mindset de transição, um conjunto de novos conceitos amarrados que nos permita entender como o mundo é e será – comparativamente aos mindsets anteriores. Adotar um mindset de transição começa por reconhecer que não somos nativos digitais e nada é tão simples quanto parece, ao menos, não para os maduros. De fato, nas inovações comuns, a essência se mantém, enquanto a forma, o meio de acesso e a qualidade do retorno se modificam. Mas, quando lidamos com disrupturas, temos transformações de motivos e dinâmicas, onde a essência também se altera. Você usa a câmera do celular? Conhece o TikTok? Recebe dinheiro pelo número de visitas ao seu canal? Muitas pessoas subestimam essas mudanças profundas até perceber que não se trata de um simples upgrade, mas de um novo programa (outro paradigma). Um bom exemplo é a transição da máquina de escrever para o editor de texto Word. Ambos registram conteúdos escritos, mas o computador trouxe novas possibilidades. Não é só digitar e imprimir textos com mais facilidade; os editores digitais mudaram a forma de armazenar, organizar e compartilhar arquivos. Hoje, textos digitais dispensam impressões em papel, pois temos criptografia e certificações digitais. Contudo, muitas vezes ficamos presos a “esforços adaptativos”, sem mudar realmente o paradigma. Só ao reconhecer a disruptura como tal – um corte em valores, a inserção de uma nova cultura e o surgimento de dinâmicas de vida diferentes – entenderemos o verdadeiro alcance dessa mudança. Pela perspectiva do mindset digital, nunca fez sentido sair do analógico (máquina de datilografia) para o digital (editor de textos) só para produzir uma nova cópia analógica (impressão), mas a resistência das pessoas em incorporar os efeitos de uma disruptura faz a transição começar por esforços adaptativos. Essa grande disruptura ocorrida no final do século XX separou gerações em “analógica” e “digital”. Entre elas, surgiu um grupo intermediário que transita entre o antes e o agora, aprendendo a integrar o “novo modelo” à sua realidade, em vez de tentar usá-lo como uma “versão melhorada” do modo antigo.