A teoria sugere que negócios neoempreendedores são instáveis e difíceis de controlar. Contudo, a real questão é o modelo mental: controle versus movimento. O melhor jóquei não é quem controla o cavalo, mas quem estimula a intensidade do seu movimento. O cavalo faz o resto.
Lembremos: quanto mais controle se tenta exercer, mais lento será o movimento. Hoje, um negócio que se move devagar, demora a se adaptar. Concentre-se em ser ágil e perseguir crescimento. Quanto ao controle, deixe os sistemas digitais cuidarem disso.
Na prática, as principais mudanças que os processos neoempreendedores digitais trazem são:
a) adotar tecnologias e ferramentas que facilitam rotinas – as metodologias ágeis (Scrum, Kanban) ajudam no dia a dia. As plataformas de análise de dados (BI, dashboards) sustentam nossas decisões. As ferramentas de automação (CRM, ERP) simplificam fluxos. Em negócios físicos ou digitais, precisamos de sistemas;
b) desenvolver equipes que reúnem a estabilidade do fluxo tradicional com a velocidade do digital – o time é essencial. Pessoas com experiência linear nos ajudam a manter a organização, mas colaboradores com mentalidade digital trazem inovação. Equipes inteligentes aproveitam o melhor que estiver disponível e for acessível. Esse equilíbrio evita rupturas e cria velocidade possível com estabilidade mínima;
c) integrar rotinas de pivot no meio de projetos lineares – no digital, pivotamos em larga escala. Redefinimos o produto, o público-alvo ou o modelo de monetização. No tradicional, ajustamos detalhes, mudamos fornecedores ou ampliamos linhas de produtos. É possível unir essas perspectivas, mantendo uma estrutura de planejamento robusta e, ao mesmo tempo, pivotar quando os sinais de mercado exigirem e
d) expandir em diferentes contextos – o digital favorece o alcance global. O tradicional ainda cumpre papel fundamental no off-line. Podemos migrar parte do negócio para a internet ou abrir pontos físicos em regiões estratégicas. Em ambos, a expansão exige planejamento e recursos.
Figura 32 - Hibridização do Processo Empreendedor
É possível aplicar esses fluxos em qualquer tipo de empreendimento, escolhendo o modelo que nos atende melhor ou mesclando abordagens: iniciar um negócio digital e, depois, adotar certas práticas lineares para estabilizar processos ou começar de forma tradicional e inserir ciclos de validação rápida no meio do caminho.
Essas dicas representam nossa síntese de ação. Elas não dispensam uma análise posterior de cada cenário, mas servem de guia, lembrando-nos de que devemos ser ágeis, mas que certos processos sólidos ainda importam.
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