Você já sentiu que, quando estamos atrasados no trânsito, desejamos que os carros saiam da frente? É como se estivéssemos dizendo: “Quem ele pensa que é para andar no meu asfalto?” Agora, imagine que todos estejamos com esse mesmo sentimento em um dia de grande engarrafamento. A perspectiva predominante nessas situações é egocêntrica. É um choque de desejos conflitantes, pois todos pensam ser “donos das ruas”.
Esse egocentrismo faz com que a gente só enxergue as coisas do nosso próprio jeito, dificultando entender os outros e analisar as situações de forma justa. Com isso, acabamos tomando decisões piores e deixando de valorizar boas ideias de colegas no trabalho, o que restringe a inovação e a obtenção de melhores resultados.
Quando estamos imersos nessa visão autocentrada, não percebemos a real profundidade dos fluxos existenciais, o que prejudica a compreensão de necessidades coletivas e a construção de soluções geradoras de valor. A isto chamamos de autoengano.
O autoengano pode ser entendido como o processo pelo qual uma pessoa, conscientemente ou não, distorce a própria percepção da realidade para evitar desconfortos, proteger a autoestima ou sustentar crenças já estabelecidas. Trata-se de um mecanismo psicológico que mascara dificuldades, limita a autocrítica e impede o reconhecimento de falhas ou limitações, dificultando assim o crescimento pessoal e coletivo.
Esse fenômeno é mais comum do que se imagina, especialmente em ambientes onde a competição e o individualismo são valorizados. O autoengano faz com que as pessoas enxerguem apenas o que desejam ou o que lhes convém, filtrando informações e experiências conforme suas próprias crenças ou interesses. Dessa forma, deixam de escutar outras opiniões e acessar informações que defendem pontos de vista diversos de seus pensamentos.
No mundo dos negócios, o autoengano atrapalha a inovação e o trabalho em equipe. Quando o empreendedor acredita só nas próprias ideias e não escuta os outros, ele pode ignorar pontos importantes. Por isso, muitas equipes não evoluem e projetos falham, justamente por falta de abertura para ouvir diferentes opiniões.
Vejamos alguns autoenganos causados pelo egocentrismo:
a) as noções ilusórias de segurança (em vez de valorizar o que temos e fazemos no agora, preocupamo-nos exageradamente com o futuro);
b) a rigidez de conceitos que impedem a reflexão crítica (em vez de aceitar a evolução dos conhecimentos) e
c) os gatilhos da autoproteção (em vez de entender o contexto como extensão dos indivíduos).
Os autoenganos fomentam percepções tendenciosas e superficiais sobre as dinâmicas socioeconômicas.
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