De acordo com o futurista Alvin Toffler, as grandes transformações da humanidade começaram pelo modo de obter energia, o que definiu como as pessoas produziam, consumiam e organizavam a sociedade. Já vimos essas etapas evolutivas: extração (caça-coleta), agricultura, indústria (força bruta), serviços (produção em formato de serviço) e, agora, digitalização-virtualização (produção por inteligência).
Cada disruptura foi mais intensa que a anterior, mas não aconteceu de uma só vez para todos. É como o movimento das marés: avança, recua um pouco e depois prossegue mais adiante. Enquanto boa parte do mundo já opera em sociedades industriais em modelo lógico-formal, há regiões (por exemplo, a África subsaariana) em que a subsistência é agrária e, ainda, lugares remotos (como tribos indígenas da Amazônia) onde se vive de caça e coleta.
Mesmo nos centros urbanos mais desenvolvidos da América do Norte, Europa Ocidental, China, Japão, tigres asiáticos ou grandes metrópoles brasileiras, a transição para a sociedade do conhecimento ainda não se completou. Mas não nos deixemos enganar. Enquanto dormimos, as ondas continuam seu avanço silencioso pela madrugada. Em breve, todos sentiremos a água do mar chegar aos nossos pés, não importa onde estivermos.
No início, a reação a essa transformação analógico-digital é fazer pequenos ajustes, pensando que “a maré ainda está longe”. Mas, aos poucos, vemos a força dessa mudança e percebemos que ela nos empurra para uma nova dinâmica socioeconômica. Leva tempo para a maioria entender que o novo veio para ficar e que, sem se reinventar, será difícil sobreviver.
Assim, ao falar de transição do analógico para o digital, enxergamos cinco fases diferentes, que refletem a forma como os empreendedores-gestores entendem e lidam com as transformações já absorvidas e as que ainda vão surgir em seus mercados invadidos por ondas de tecnologias disruptivas.
1. Pré-Formal Analógica (B1G-1). Fase reativa inicial (negação da disruptura e apego ao analógico). Aqui, estão os idosos atuais (mais de 70 anos), que só usam as novas tecnologias quando precisam ou por obrigação legal. Preferem o mundo pré-computador e vivem em modelos mentais do pré-formalismo lógico-científico. Gostam de rotinas lentas e relacionamentos profissionais duradouros baseado em confiança.
2. Formal Impactada (B1G-2). Fase inovadora (percebem a chegada das novidades digitais e incorporam algumas). Aqui, estão os maduros (mais de 50 anos), que usam tecnologias mais acessíveis como complemento para a sua vida analógica. Assim, operam em modelos mentais do formalismo lógico-científico da primeira metade do século XX. Apreciam os avanços que a tecnologia propõe, desde que conduzidos por outros (familiares ou colaboradores). Gostam de conhecimento especializado e valorizam competências profissionais.
3. Formal Adaptada (B1G-3). Fase de transição analógico-digital superficial (entendem a disruptura digital e adotam o que precisam). Aqui, estão os adultos (mais de 35 anos), que tiveram contato com grandes avanços tecnológicos na adolescência. Usam essas inovações no trabalho e no lazer (e-mails, bancos de dados, planilhas, programas gráficos, games etc.), em modelos mentais do formalismo lógico-científico do final do século XX. Escolhem tecnologias conforme as necessidades e gostam de dominar múltiplas competências, baseando o desempenho profissional em resultados.
4. Formal Transformada (B1G-4). Fase de transição analógico-digital profunda (imersão na cultura digital e criação de negócios digitais). Aqui, estão os jovens (mais de 20 anos), que cresceram com os avanços tecnológicos na infância e operam principalmente no mundo digital (redes sociais, games, smartphones). Vivem virtualmente, usando a computação em nuvem e se aprofundam em conhecimento só quando necessário (formalismo lógico-científico). Seu relacionamento profissional se baseia no prazer da convivência e na realização pessoal.
5. Pós-Formal Digital (BIG-5). Fase do superestrato digital dominante (fazem propostas de valor digitais desde o início). Aqui, estão as crianças e adolescentes (mais de 5 anos), que nasceram em meio às tecnologias mais recentes. Têm dificuldade em tarefas puramente analógicas e preferem a virtualização total (gaming, redes sociais, comunicação, produção). Aprendem por demanda (on-demand) com serviços de streamings (YouTube) e usam inteligências artificiais integradas para o que precisarem. Eles não percebem a tecnologia como algo “especial”, pois ela está integrada a suas rotinas. Mantêm poucos relacionamentos profissionais e seus resultados tendem a ser egocêntricos.
Essa última fase influenciará o modelo das organizações por um bom tempo, com ajustes pontuais. Os formatos futuros de operação, oferta, transação e entrega de valor tenderão ao alinhamento com os novos mindsets digitais daqui em diante.
Observação. A relação entre as fases da disruptura B1G e faixas etárias é apenas um guia para explicar como cada geração lida com as tecnologias disponíveis. Na prática, um idoso pode estar na 4ª fase (formal transformada) e um adolescente na 3ª (formal adaptada), porque o fator principal é o tempo de contato e interesse pela tecnologia, não a idade. Por exemplo, uma pessoa pode ter começado a programar aos 60 anos, enquanto um jovem de área rural sem internet só conheceu as redes sociais ao se mudar para a cidade.
Figura 10 - Transição Analógico-Digital: Tipos de (Neo)empreendedorismo
Neste livro, trataremos das características dessas fases e do valor que as novas tecnologias podem trazer para o empreendimento, principalmente em temas sobre formatos empreendedores na B1G.
CapítuloGestão
5 min
Índice: 22