No tema anterior, vimos que, nos últimos cinquenta anos, os fluxos existenciais vêm mudando de analógicos para digitais. Novos processos produtivos, diferentes formatos de transações, alterações nos comportamentos sociais, tudo sofre os efeitos desta mais recente mudança existencial global.
Diante de inovações, as pessoas se dividem em grupos previsíveis:
a) os que logo aderem (curiosos);
b) os que resolvem experimentar após alguém testar (seguidores);
c) aqueles que só passam a usar quando se torna comum (padronizados) e
d) quem só adota em caso de vida ou morte (resistentes).
Mas, em meio a uma mudança de porte paradigmático o – como esta B1G (The Big One) –, é temeroso permanecer desconectado das “novidades que não nos dizem respeito”.
O perigo atual é que a velocidade das inovações é tão alta que o tempo entre “ser um inovador” e “tornar-se obsoleto” encurtou drasticamente. Quem opta pela “ignorância estratégica”, achando que são apenas “pequenas transformações”, está cometendo um grande erro de cálculo.
Não estamos falando de um futuro distante. Já projetamos existências em metaversos, dialogamos com IA’s e imprimimos objetos 3D. O que vem a seguir não é inevitável: casas impressas, órgãos desenvolvidos em laboratório, energia solar onipresente e a fusão entre biologia e tecnologia.
“Meu Deus, o que mais?”, talvez você dissesse. As mudanças digitais se sobrepõem como ondas, sem intervalo de calmaria. Esse é o dilema das gerações de transição (nós, os “imigrantes digitais”): precisamos operar em um mundo instável que nossos pais não imaginaram.
Viver com equilíbrio na B1G exige novos modelos mentais. A velha máxima continua válida: “fazer o que você sempre fez só garantirá que você obtenha o que sempre obteve”. Mas, no cenário atual, talvez nem isso garanta mais. Fazer a mesma coisa hoje pode entregar menos resultado amanhã.
O comboio de inovações parece não ter fim, incomodando a todos com seu cheiro de instabilidade.
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