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Inversão da lógica empreendedora

Outra parte desse problema está no modo como empreendemos. Iniciamos um negócio por diversos motivos. Os mais comuns são: a necessidade (precisar se sustentar na falta de um emprego) e o sonho (desejo de montar uma operação específica). Outros, ainda, buscam realizar uma missão de vida (um médico), aproveitar um conhecimento adquirido (um programador de computadores), explorar um ponto (um imóvel próprio) ou apenas para ganhar dinheiro (um investidor). Raros são os empreendedores que observam os fluxos existenciais (intimidade, automanutenção, produção e socialização, por exemplo) e buscam entender primeiro os problemas das pessoas e organizações antes de criar uma solução. Geralmente, seguem sua motivação inicial ao empreender. Muitos empreendedores começam suas operações de um jeito invertido: têm uma ideia para solução, escolhem um ponto comercial e levantam recursos. Só depois, quando se imaginam “prontos”, pensam em quem seriam seus clientes e nos detalhes de suas demandas. Embora alguns tenham sucesso, a maioria enfrenta dificuldades devido à falta de conhecimento, planejamento, acompanhamento e flexibilidade. É possível que, em certos casos, tudo dê certo e esses projetos se tornem empresas prósperas. Mas, lembremos: pouco mais de um terço dessas iniciativas segue adiante. Mesmo assim, os empreendedores que sobrevivem a essa linha de corte, ainda precisam lidar com essas carências técnicas, que podem impedir o crescimento do negócio. A rara tacada certeira do início não costuma resistir às grandes probabilidades de fracasso adiante, pois a falta de entendimento inicial, caminhos claros e ajustes periódicos sempre cobra a conta no longo prazo.