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Os fluxos do neoempreendedorismo - dinâmica recente

No passado, tínhamos um cenário econômico mais estável. As variáveis de mercado se mantinham sob relativo controle e o processo empreendedor seguia um caminho linear: conceito de solução; criação de estrutura jurídica; projeto da operação; implantação e lançamento do negócio. Ao fim, restava administrar o que fora criado. Ajustes aconteciam, mas em ritmo moderado. A expansão surgia só após equilíbrio operacional se tornar rotina. Esse modelo funcionava em ambientes com transformações lentas e reinava absoluto desde a criação dos mercados de consumo no século XVIII. Hoje, lidamos com um ecossistema muito mais dinâmico, com poderosas variáveis interferentes: informação e comunicação em alta velocidade; integração de mercados pela globalização; consumidores digitais insaciáveis por instantaneidade. A competição se intensifica em todos os fronts. O surgimento contínuo de novas tecnologias acelera a obsolescência de ideias consideradas sólidas. As metodologias ágeis ganham popularidade. Startups testam hipóteses em ciclos curtos. O capital de risco se orienta sobretudo por métricas de tração, não só por planos formais extensos. Esse novo cenário gera uma cultura de validação. Não confiamos apenas em projeções: testamos cedo. Se algo falha, pivotamos. Se algo funciona, escalamos. Esse processo ocorre em ciclos, não em sequência rígida. Chamamos isso de fluxo empreendedor digital, que nasce da inovação, depende de tecnologia e explora a conectividade para encurtar prazos e aprofundar a relação com o cliente final. Figura 29 - Processos Empreendedores: Tradicional, Digital e Híbrido O debate não se resume a digital versus tradicional. Podemos integrar elementos de cada modelo. Há negócios que operam fisicamente e adotam técnicas ágeis de validação. Outros são digitais, mas mantêm estruturas formais e processos previsíveis. O que muda é a liberdade de iterar, o grau de tolerância ao erro e a velocidade de correção de rota. Esse cenário em que vivemos é chamado de VUCA (volátil, incerto, complexo e ambíguo). Um contexto que exige respostas ágeis, ciclos curtos, capacidade de absorver novas informações e aplicá-las a cada interação com o mercado. Essa é a essência do fluxo empreendedor digital. Ela contrasta com o caráter linear do modelo anterior, mas os dois ainda coexistem e se influenciam.