A disruptura digital vem provocando transformações relevantes no contexto de mercados e operações, mais precisamente nas estruturas do Empreendedorismo e do Management. Para fins didáticos, agrupamos as principais mudanças estruturais em sete pilares disruptivos para o Empreendedorismo de Transição. Você pode entendê-los como as pré-condições para operar no Neoempreendedorismo.
1. Comunidade de Prossumidores Interagentes (público demandante) – mais que resolver entraves, necessidades ou desejos de pessoas e organizações, importa o grau de vínculo que estabelecemos com eles na jornada de resolução de seus problemas. Começa com o reconhecimento de interessados, passa pela conquista de consumidores e fidelização de clientes, até formar comunidades onde ofertantes e demandantes se reconhecem mutuamente.
2. Solução Multivalor (produto) – não basta apenas resolver um problema imediato; a solução deve eliminar a causa e prevenir recorrências, sendo parte não só do atendimento objetivo, mas, também, da percepção subjetiva do consumidor, criando valor tanto pela experiência inicial (valiosa) quanto pela durabilidade (valorosa).
3. Macromercado Dinâmico (mercado) – lidamos com três mercados sobrepostos: a concorrência local, a concorrência virtual dos fornecedores e, o mais recente, a inserção de inovações capazes de eliminar o problema mercadológico para o qual oferecemos soluções.
4. Sistema de Resolutividade (resolutividade) – quando um problema surge, ele gera dois campos de atuação: a causa e a consequência. A solução pode agir controlando ou bloqueando os efeitos e, ao mesmo tempo, prevenir a recorrência do problema, compondo um sistema completo de resolutividade. Além disso, há papéis acessórios: a solução pode evoluir para melhor bloquear consequências (aprimoramento); prolongar seus efeitos (expansão); permitir adaptação dos usuários (consolidação) ou evitar a recorrência do problema (prevenção).
5. Estrutura Orgânica Adaptativa (organização) – em tempos incertos, os objetivos se tornam incertos e dependentes de uma maior número de variáveis. Para aumentar as chances de sucesso, precisamos desenvolver estruturas flexíveis e autônomas que permitam reações e adaptações rápidas aos movimentos do ambiente externo (“planos B”) – da mesma forma que nos preparamos para realizar as ações intencionadas (“planos A”).
6. Autonomia Consciente (ação produtiva) – os colaboradores devem ter autonomia consciente, baseada em práticas simples e monitoradas por sistemas de informação eficientes. O uso do bom senso deve vencer o cumprimento cego de determinações rígidas para a empresa se mover com flexibilidade. Quem conseguir ver o óbvio, enxergará o que nem imaginava.
7. DNA Replicante (crescimento) – quem se move com frequência, desenvolve musculatura e adquire forças para ir cada vez mais longe e mais rápido. Em tempos disruptivos, a organização deve aproveitar para crescer e se replicar para alcançar maior escala. Quem se adapta e expande operações tem mais chances de se manter no mercado.
Figura 13 - Novo Modelo de Geração de Valor: Sete Pilares do Neoempreendedorismo
Alguns leitores podem considerar nossa lista de pilares neoempreendedores incompleta ou redundante, mas isso não é um problema. Oferecemos modelos interpretativos, não camisas-de-força. Só não desconsidere que a sociedade do conhecimento exige novas perspectivas sobre conceitos antigos. Se sentir falta de fundamentos, inclua-os. Se perceber duplicidade, integre-os em um só pilar. Você é o capitão do seu navio – faça como achar melhor.
Além desses pilares, citamos tendências adicionais: informação e comunicação instantâneas, inteligências artificiais na robótica e em serviços, relações virtuais, dinheiro digital etc. Como esses assuntos vão além do empreendedorismo, não os incluímos nesta estrutura geral, mas, eles serão abordados direta ou indiretamente ao longo dos temas deste livro.
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