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Quando sair do emprego?

A vida está insuportável. Seu chefe parece não reconhecer seus méritos e contribuições para o resultado da empresa. Você sente que suas qualidades não são aproveitadas. Outros são promovidos e você fica com a sensação de que eles são protegidos por uma imparcialidade que o relega a um segundo plano. O tempo passa e seus sonhos não se realizam. Você pensa em ir embora, mas como começar tudo novamente em outro lugar? “– Se for para sair, melhor iniciar meu próprio negócio”, fala a voz suave no fundo da consciência. E ela encontra solo fértil. Você está confiante e possui competências para gerar resultados significativos. Então, por que não considerar a possibilidade de se lançar ao mercado? Qualquer um faria a mesma coisa na sua situação semelhante, não é? Tudo alinhado emocionalmente. A irritação e a angústia se sustentam nas competências que reconhecem no seu orgulho machucado e na sua vontade de esquecer as humilhações. Aí você, envolvido por essas pressões emocionais, pede demissão para montar seu negócio, cometendo, daí em diante, tantos erros que nem perceberá a maioria deles, mesmo os mais próximos e tão claros quanto a luz do dia. O sonho de empreender não pode ser uma fuga da realidade. Sem um planejamento de base e um objetivo maior que as dificuldades da vida cotidiana, poucos vencem o desafio de montar, fazer sobreviver e crescer um negócio próprio. Sem entender a relevância das necessidades organizacionais, empreender pode se tornar um pesadelo. Sua consciência é um mapa dos caminhos e sua energia é a fonte que faz tudo se mover no ritmo desejado. Se o empreendedor ignorar seu papel e desconhecer o tanto de energia que precisará aplicar, os movimentos do negócio não gerarão valor, só rotinas de manutenção. Aí, fechar as portas será só um decorrência. Um negócio é um ser vivo que precisa de nossa disponibilidade de tempo, energia e responsabilidade. Melhor permanecer no emprego enquanto amadurece os motivos e expectativas que abrir sua própria operação por um rompante. E, não esqueça: quanto mais distantes seus motivos empreendedores estiverem de solucionar os problemas de um segmento relevante de consumidores, mais difícil será obter sucesso em sua iniciativa. Quando você tiver em mãos um bom projeto, alinhamento de sentimentos e pensamentos, colaboradores no radar, demandantes interessados, possibilidade de começo promissor, talvez, aí seja a hora de pedir sua demissão. Antes disso, é decisão tola e infantil, na maioria das vezes.